Administração empreendedora: por que ter uma?

Tempo de leitura: 9 minutos

 

Você já ouviu falar no termo administração empreendedora? Não é uma expressão relativamente recente, é verdade, mas, ela só veio a ganhar força no meio empresarial de alguns anos pra cá. Portanto, caos você nunca tenha ouvido esse termo antes, não se preocupe, pois, através desse artigo, você poderá tirar as suas dúvidas a respeito do tema, e se familiarizar com ele.

No entanto, ao se falar de administração empreendedora, talvez você estranhe, pois, em determinado momento, você aprendeu que ambos os conceitos são que nem água e óleo; não se misturam, não é mesmo?

Pois, a partir de agora, e de uma vez por todas, vamos desmistificar isso, e provar que uma administração empreendedora tem muito a lhe oferecer.

 

Administração X empreendedorismo: dá pra ter uma administração empreendedora

Ok, é até compreensível que você fique um tanto confuso, pois, administração e empreendedorismo, em tese, parecem duas coisas bem distintas, bem separadas. Afinal, empreendedor é aquele que “faz as coisas acontecerem”, tem visão, é inovador e criativo, enquanto o administrador tem mais a ver com planejamento e controle das funcionalidades de um negócio.

Porém, em alguns pontos, administrador e empreendedor se encontram. São eles:

  • Ter iniciativa e atenção às principais oportunidades que surgem;
  • Persistência para superar os obstáculos e transformá-los em alternativas;
  • Os riscos que correm são milimetricamente calculados;
  • Eficiência e qualidade no atendimento ao cliente;
  • Compromisso com o negócio em detrimento, às vezes, de assuntos pessoais.
  • Tentam conhecer o mercado e o comportamento geral dos clientes;
  • Estabelecem metas;
  • Planejam e monitoram o negócio, sempre revisando o plano de negócios;
  • Rede de contatos sempre atualizada;
  • São autoconfiantes e independentes, principalmente, em face de decisões difíceis.

São nesses encontros estratégicos que uma administração empreendedora é feita, unindo, assim, forças para fortalecer a empresa e enfrentar um mercado bastante competitivo.

E, agora que você já sabe ser perfeitamente possível a junção de ambos os conceitos, antes de adentrarmos exatamente na aplicabilidade do assunto, vamos a um pequeno panorama histórico do mesmo.

 

Quando surgiu a administração empreendedora?

Década de 70. Empresas norte-americanas no auge, e seus donos e investidores pouco preocupados com qualquer tipo de concorrência, seja ela vindo da Europa, ou, principalmente, do Japão. Porém, já nessa época, uma grande revolução empresarial já estava começando na terra do sol nascente, e que culminaria na década seguinte.

Foi então que o modelo de administração tradicional passou a ser questionado nos EUA, pois, as empresas japonesas já estavam começando a ficar de igual para igual em termos de competitividade, ameaçando o mercado norte-americano, que, até então, era “intocável”. Era preciso mudar. Ou, mais importante ainda: era necessário evoluir.

Nesse panorama, um dos autores que mais influenciou essa nova geração de empresários foi o professor William Ouchi, autor do livro “Teoria Z Como as Empresas Podem Enfrentar o Desafio Japonês”, praticamente a “bíblia” de quem, naquela época, pensava em ser um empreendedor de sucesso. Por sinal, vale a pena conferir essa entrevista que ele deu na UCLA Anderson School of Management: https://www.youtube.com/watch?v=2kmterVco9A

Foi através desse esforço em criar um modelo diferente para continuar sendo o maior mercado do mundo que surgiu a administração empreendedora.

E, foi com essa nova visão que surgiram alguns pontos primordiais que caracterizavam esse novo modelo de administração.

 

Principais características da administração empreendedora

Para se desvencilhar do antigo modelo, a nova administração teria que se mostrar mais “radical”, mais “ousada”, numa ruptura das antigas ideias. E, foi então que surgiram alguns pontos principais, que destacaremos a seguir.

Unidades Independentes de Negócios

Ponto essencial dessa “revolução”, o conceito dessas unidades era bem simples. Consistia basicamente em transformar departamentos e divisões da organização em “pequenas empresas”, que teriam autonomia tanto operacional, quanto mercadológica. O que isso significa? Que cada “setor” seria responsável por seus próprios planejamentos, organizações e controles específicos.

Só ressaltando que a organização financeira continuaria a ser centralizada. E, isso é fundamental, pois otimiza os recursos desses vários “setores”, e ainda gera confiança entre colaboradores e investidores em geral, fazendo da administração empreendedora algo bem transparente.

Equipes Empreendedoras

Se exista uma força motriz dentro dessa “revolução” empresarial que começava a surgir, eram, sem dúvida, essas equipes. Lideradas por um gerente de perfil totalmente empreendedor, esses grupos tinham metas bem definidas: buscar oportunidades e fazer o desenvolvimento de novos negócios para a organização.

Alguns pontos eram bem característicos aqui, como a liderança, a comunicação, a flexibilidade e o espírito de equipe. Ou seja, tudo o que, hoje em dia, é essencial para qualquer empreendimento ter sucesso duradouro.

“Intrapreneur”

Aqui temos um temo criado por Gifford Pinchot III, co-fundador do quem hoje é a Universidade Pinchot. Segundo o próprio autor, o termo significa algo coo “o sonhador que faz”. Daí, você já supõe qual o peso de uma ideia dessas, não?

Isso porque a palavra pode representar muito bem aquele empregado que “se comporta” como empresário. Ou seja, buscando sempre inovação e resultados. E, pode ter certeza de uma coisa: esse é o tipo de empregado que se destaca. Muito.

 

administracao empreendedora

Alianças e parcerias

Hoje em dia, esse tipo de característica em uma administração empreendedora é considerado completamente normal. Porém, até meados dos anos 80, aliar-se com concorrentes para se criar parcerias era um ultraje, quase uma ofensa.

Só que os tempos mudaram, e foi visto o óbvio: a união é a melhor política. Resultado: empresas de espírito amplamente empreendedor passaram a compartilhar investimentos em lançamento de novos produtos e serviços, além de pesquisa e desenvolvimento tecnológico com outras empresas. O mercado se ampliou, e todos saíram ganhando.

Participação nos resultados

Pois, é. Essa ótima vantagem, que atualmente é bem vista por todos, surgiu nesse período. E, a sua mecânica é muito simples. Consiste em recompensar empregados e equipe em decorrência dos resultados globais da empresa ou simplesmente da unidade do negócio em questão. Dentro da administração empreendedora, isso se transformou em um excelente incentivo, um motivador a mais.

Alternativas de cargos e carreiras

A palavra-chave aqui é estímulo. Numa administração empreendedora, você possui três opções bem distintas: ser gestor, ser técnico ou ser simplesmente um colaborador (considerado líder), mas, que não se enquadra em nenhuma das duas alternativas anteriores. O que demonstra flexibilidade na hora de você ser encaixado naquele tipo de função que melhor casa com as suas características pessoais.

 

A real importância de uma administração empreendedora

Talvez, você ainda não tenha se dado conta da importância que uma administração empreendedora pode ter para o seu negócio (ou, quem sabe, para o seu futuro negócio).

Vamos, então, pensar de forma mais direta, clara e objetiva. Você tem uma excelente ideia em mãos (para um produto ou serviço), uma equipe que transborda competência, alta tecnologia à sua disposição, e, por fim, a ideia certa para o instante certo.

Como empreendedor você tem isso.

Mas, por que, mesmo com esses ingredientes, às vezes, um negócio não “vai pra frente”?

Não se engane, muitas vezes, o que falta é simplesmente e tão somente conhecimento do processo. E, é aí que a administração entra. Pois, somente com o conhecimento necessários de todos esses meandros é que o produto ou serviço consegue ser viável dentro desse mercado, somente assim você conseguirá que ele agregue valor ao cliente como um produto ou serviço indispensável à sua vida.

Ou seja, pode parecer meio ilógico isso, mas, o mais importante não é ter um produto ou serviço perfeito, totalmente imbatível. “Apenas” isso não garante sucesso. Em muitas ocasiões, questões burocráticas fazem bastante diferença entre o sucesso em o fracasso de certos empreendimentos.

Em suma, a importância de uma administração empreendedora está, em linhas gerais, em unir o melhor desses dois mundos, fazendo que um negócio fique viável comercialmente de lado, e atrativo e inovador de outro. Ao mesmo tempo em que o produto ou serviço serão oferecidos de maneira criativa, questões mais administrativas farão as vezes de alicerçar bem as estruturas da empresa, para que ela não caia em armadilhas do mercado, e venha a fracassar nos negócios por qualquer motivo que seja.

Visão arrojada e visão estratégica, portanto, precisam andar de mãos dadas, pois, de nada adiantar ter uma ótima ideia, e implantá-la de qualquer jeito, e ver o negócio naufragar em pouco tempo. Da mesma maneira que não adianta se ater a uma burocracia excessiva, pois isso tenderá a desmotivar tanto a você, quanto a sua equipe, e, mesmo que o negócio persista, talvez, ele fique estagnado (o que também não é nem um pouco bom).

 

Últimos conselhos

Isto tudo que você acabou de ler não significa que a administração e o empreendedorismo precisam, obrigatoriamente, andarem lado a lado. Não é isso. O que a administração empreendedora nos mostra é que as ideias de um lado podem muito bem melhorar os negócios do outro lado.

Isso porque, no tocante aos objetivos, em ambos os casos, empreendedor e administrador querem o bem da empresa, e que ela prospere, dando lucro, e aglutinando cada vez mais cliente e investidores. Com esse ponto em comum, fica relativamente simples haver uma união de forças entre ambos os conceitos, fazendo da administração empreendedora um guia útil para a sua vida empresarial.

Pode ter certeza: quem ganha é você e a sua empresa, seja você administrador, empreendedor, ou, melhor ainda, os dois ao mesmo tempo.

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Veja também: escalabilidade

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